Essa pinta de careta que me consome pelas noites mais intensas. Esse mundo inteiro que vejo espalhados em rostos tão distintos. As ruas tão desconhecidas e simultaneamente tão bem vindas pra mim. Pra minha vida. Tudo isso, e aos poucos um pouco mais de rostos e vozes finas me fazem permanecer exatamente onde estou. Me fazem firmar quem sou, o que quero e o que (ainda) detesto. Sinceramente, criei asas. Mas isso não quer dizer que vou sair a voar por aí, sem destino. Quer dizer que conheço um pouco mais de tudo e todos. Mas ainda sou figurante pelas ruas, e sabe bem, que odeio entrar em cena. Odeio, porque tudo muda, do oito para o oitenta. E se mudar, talvez não volte nunca mais ao que era antes. Vou ser sempre careta, calada, e observar cada detalhe. Vou estar provavelmente sóbria, sem medo de fazer nada do que realmente quero. Eu nunca precisei forjar nada. Eu só digo que, sigo o ritmo da música, sempre. Mas se trocar a vitrola meu bem, se trocar a vitrola... talvez eu cante pra mim. Ou talvez eu conheça músicas bem diferentes e, mesmo fora de cena, eu dançe lá no fundinho, discreta e sem jeito, como sempre fui, e sempre serei.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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