22:00 horas. É agora que minha tosse seca chega, me fazendo tremer toda, mesmo que não tenha dado sinal durante o dia inteiro. Tenho várias coisas a fazer, mas minha mão treme, parece até de raiva por não conseguir me concentrar. Minha mãe ligou hoje, pela primeira vez, desde que saí de casa. Não falou comigo, mas já é um avanço. Me sinto muito sozinha, longe de tudo que é meu. Na verdade, a única coisa que tenho é um cômodo com algumas coisas. Me sinto bem ali. Mas nem ele tenho comigo mais. Somente uma rotina a seguir agora. Concentração a adquirir. Tenho que tentar ter auto controle sobre mil coisas ao mesmo tempo. Por exemplo essa dor que não pára, essa tosse vadia e esses trabalhos a fazer. Também a hora em que acordo, talvez meu cabelo penteado pra sair ajude alguma coisa quando eu me olhar no espelho dos banheiros não? Tenho que voltar a focar em mim e não mais ficar recordando de um passado próximo sobre brigas e confusões. De nada adiantou chorar por tanto tempo, sofrer achando que seria recompensada por uma espécie de energia que me ajudaria, por sentir pena de mim. Não quero que sintam pena de mim. Passei da fase em que eu sentia pena de mim. Não quero e nem vou ser coitada. Mas também não serei mais a garota de ferro. Tudo bem, tudo bem, eu não tenho mais meu quarto para me esconder. Então, o que tenho agora é meu rosto sem máscara alguma. Essa sou eu, meio caótica, sob novas revisões sentimentais e uma força não tão grande, nem tão pequena. Eu vivo bem, eu sobrevivo ao menos. Ninguém precisa ter alegria o tempo inteiro, não é verdade? E felicidade vai e volta. A minha foi dar um passeio. Talvez esteja de férias por um tempo. Aí eu fico no "tanto faz". Tanto faz, se estou há duas semanas com essa tosse. É, na sexta faz duas semanas mesmo. Engraçado que acredito que me apeguei tanto que já não quero que ela vá embora. Ela dorme comigo e vai embora pela manhã, moderninha ela.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
Comentários