Toma lá tento garoto, eu dizia. A vida mal começa e já quer extrapolar? Dizia nada, mentira, furada. Eu o escutava com seu jeito engraçado de ser, dançando pela casa e me calava. Um pequeno príncipe misto com peter pan. Não cresceria nunca. Talvez por isso eu dizia que a vida estava chegando para ele. Aí alguém me disse: chegou, há tempos. É essa mania de achar que bebês não crescem. E o menino cresceu. As brincadeiras que minha mãe dizia que ofendia, o fez mais duro e com respostas na ponta da língua. Os olhares meticulosos, as viagens junto com a solidão, o deixaram esperto, preciso, um homem-menino. Menino porque se chega, se esbalda, quer cantar, imitar e deixar todo mundo com dor na barriga de tanto rir. Mas a vida é dura rapaz. E quando menos se imagina, há um monte pra carregar. Ofensas nem são nada. Eu vi, vivi e senti. Eu carreguei também. Se hoje te acho um homem, pelo que é, o que foi e o que construiu dentro desse peito, é que eu vi crescer um garoto perguntador e falador que poucos conseguiam escutar por muito tempo e ele foi aprendendo a ouvir mais. Mas o que queria, queria, não havia outro jeito. O que era, era. Tinha que ser, pápum. E nada de vergonha na cara. Pra que vergonha na cara? Eu nunca fui de concordar com vergonha na cara. Se você é o que é meu filho, acorda, se esconder atrás de mureta não rola, um dia o sol bate, a sombra te denuncia e aí você se queima fácil fácil! O homem que eu disse que vi crescer hoje sofre. Eu sei que sim. Aprendeu foi comigo a esconder atrás do riso e das piadas hilárias que sabe fazer? Só quero que saiba menino, que sem se importar com o caminho, o destino, pode olhar ao redor. Diferente do resto do mundo você tem com quem contar. Não conte tudo! A vida é sua e aprendemos até aqui a arcar com as consequências da vida. Mas um colo, um abrigo, o amor que nasce dentro de um lar, é bem mais forte que qualquer força que queira quebrar.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...

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Texto tocante.