Essa rotina fácil de quem levanta, toma o café, e só volta para almoçar e jantar. Vivendo em multidões solitárias, me perco olhando pregos, becos, janelas. Isso tudo me afaga, como se qualquer objeto cortante fosse me confortar. E a cada gritinho de socorro que dou, penso que dar trabalho aos outros é coisa feia demais. Me fecho, e aprendo a dar sorrisos contínuos, a falar sobre novela, filme novo, aquele ator bonito. Não há nenhuma conclusão. Não aprendi tudo ainda. Não sei direito de onde tirar a espontaneidade, o sorriso fácil pra qualquer um na rua. Tudo aqui me parece plástico demais. O corpo, as unhas, o cabelo e o coração pegando fogo, derretendo e queimando tudo por dentro.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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