A gente mal sabe se abraçar. Nas horas de deixar as palavras mais puras, menos elaboradas saírem da boca, a língua enrola. A gente mal sabe dar nome a sentimentos. E temos uma longa história cheia de detalhes que incluem bonecas dormindo, acordando com medo, presentes chegando, castigos com olhares, cenas de brigas e medo, muito medo. Mas daí, eu cresci forte, aprendi a falar pouco mais firme, assim como ele, tenho a mesma cara quando cansada, a mesma frieza para mil coisinhas. Deixei o tempo levar um bocado de coisa ruim embora, fechei e abri meus olhos. Dói crescer e perceber que eles não são tão brilhantes. Tão corretos. Que pode dar tudo errado. Que no fundo, eu posso estar sozinha. É, e estou. Mas a única certeza que peço, (e não sei pra quem peço ao certo, mas ás vezes até suplico), é que eu tenha um chãozinho firme, uma mão desajeitada segurando meu ombro, e essa cara que me olha e mesmo dizendo que minha voz é mole demais, sabe lá no fundo do que realmente eu sou capaz. Eu nunca te vi como um grande amigo, mesmo. Mas seus jeito ciumento diz que você gosta de mim. E o espelho, meio côncavo e outros dias convexo que eu tenho, deixam hoje as melhores marcas. Se tem uma voz no telefone que me anima e me deixa em casa, é a sua. E eu quero ser um dia uma mãe, do jeito que você é meu pai.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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