Volto a caminhar cabisbaixa, devido a esse meu mundo tão conturbado. Digo que sinto medo quando percebo o quanto estou longe de todos que me acostumei, de cada um que costumava me rodear e me arrancar sorrisos. Todo mundo cresceu. Mas isso não era motivo pra deixar tudo triste. Tudo tão cinza. Eu me recordo de todo mundo, tem dias, que com mais facilidade. E vejo que o lugar que antes parecia me pertencer pra sempre, acabou ficando pequeno demais. Restrito demais pra mim. Nada de sonhos, eu cresci, e nesse mundo onde todo mundo tem que saber fingir e dizer bom dia, mesmo achando o dia um horror, eu aprendi também a me esconder de quase tudo. Caíram por terra, os sonhos. Eu tenho uma lista no papel, com algumas metas e prazos. Me arrancaram um pedaço da alma, me tiraram aos poucos a vontade de amar. As pessoas sentem medo de que eu sinta amor, e agora, quem começa a sentir medo, sou eu. Me tranco, de novo, nos pensamentos mais pessimistas. O dinheiro nunca será suficiente. Minhas metas são utópicas demais. Minhas pelúcias estão trancadas no guarda roupas. Chocolate não me faz feliz. A única vez em que amei, bem, eu não quero mais me lembrar disso. Eu procuro um amigo nos olhos de quem aparece no ônibus. As pupilas de todos eles se contraem. A minha dilata, procurando por luz.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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