O lábio superior tem mais volume. O sorriso, mesmo de boca fechada, é largo, mas sereno. Olha por cima dos óculos, pensando numa frase pra zombar de mim. E na minha visão periférica, posso pegar me olhando de cima a baixo. Critica tudo, todos, mas principalmente tudo em mim. Só posso sorrir e me reafirmar, é claro. Minhas roupas, e falas, e manias, e meu corpo, minha mente, meu romantismo, meu medo de cachorros, meu medo de sentir medo do amor, meus pulos de nervosismo, meu piercing. Mas então, eu não falo, mas odeio suas críticas do nada, suas intromissões na minha roupa, cabelo ou bolsa, ou maquiagem, sua mão boba, sua mania de dizer que eu não cozinho nada (mesmo que seja verdade), sua mania de querer que eu implore por sua presença e permanência aqui, suas histórias fictícias pra eu sentir ciúmes, sua mania de insistir em alguns assuntos pra me deixar com mais ciúmes (porque eu não demonstro, nem que eu sangre o olhar). Você odeia? Então eu odeio também.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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