Não tem lugar mais vazio e mais cheio de gente como meu quarto. Se abre a porta, e me vê num canto, sentada na cama, escrevendo, não se engane. Existem várias pessoas aqui. Escondidas no guarda roupas, entre fotos, nos brincos, nos colares pendurados. Nos meus perfumes tão extremos. Meus amigos estão nos desenhos, pendurados em papéis, rabiscados na parede. Minha família estampada nos livros e em todas as minhas espinhas. Tem gente por aqui que mal conheço. Mas entrou, e ficou. E algumas eu não queria nem lembrar então joguei pro lugar mais extremo, no fundo de todas as roupas e papéis, no fundo dessa bagunça que a gente sempre tem no quarto. E eu acho que é por isso, que não me sinto tão só. Na teoria, meu mundo está sempre cheio.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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