Vejo pela janela do quarto que... é, não tem muito jeito. Estou esquecendo que envelheço também. Que essas cortinas me viram crescer. Principalmente eu, que sempre vivi dentro do quarto. Ninguém mais me conhece tão bem, como as cortinas, o espelho sujo com adesivos velhos, as mesmas fronhas coloridas (hoje com as cores bem mais opacas). Opaca eu que estou. Desculpem-me. Eu continuo voando... mas entre pousos e pousos chega a me dar uma ponta de vontade de parar de vez. Olha, as cortinas nem cor de creme são... já não fazem sentido aqui. Nem as cortinas, nem meus desenhos espalhados pela parede. Apenas os valores que conquistei na época em que ficava trancafiada no quarto. Elas sim fazem sentido. Mas eram exatamente elas, que me mantinham tão feliz, mesmo sendo sozinha. Envelheço dentro do quarto, mas minha mente, ah, essa vai longe. Ela é o pajarito.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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