Sigo treinando meus poucos vocábulos em espanhol pelas ruas. Nem liguei pro frio, quando vi que na rua que passo todos os dias um ipê já floresceu. Ontem mesmo, durante o banho, tremendo e com unhas roxas (como sempre) pedi que o verão viesse logo. Eu era a única naquele lugar, de jaqueta. Quase sempre uso as escadas, pelo menos três vezes ao dia encontro com os degraus. Sigo esquecendo de levar a sacola ao mercado, à padaria. Volto com tudo nas mãos. Carteira, chaves, papéis, margarina, coca cola pequena e um punhadinho de solidão. Eu voltei. Mas descobri que tudo acaba sendo bem melhor assim. Cheio de punhadinhos, esperando o sol vir com mais força.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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