Sem tempo pra pensar. E mesmo assim, ainda consigo ter a cabeça latejando. Lateja estranho, como se fosse a dois anos atrás. Tudo de novo, só que diferente. O que lateja não é por raiva, ódio ou repulsa. Acho que é porque o calor voltou. Não deve ser porque fui ingênua demais, por tanto tempo e a sensação é de que serei sempre, ingênua a ponto de sorrir ao diabo e lhe apertar a mão. Nem mesmo por todas as lembranças ruins que hoje fazem todo o sentido do mundo. Todos os dias sem explicação hoje sorriem pra mim, dizendo que fui tola. Todos os lugares que mais gostei de andar, hoje me causam pavor. Mas o que me faz latejar de dor é que tenho tanta coisa boa a fazer e não consigo. Pedro Juan estava na melhor parte e não o quero mais. As músicas entram e saem sem diferença alguma. Está quente, dispensei a coberta mas senti pânico na madrugada sem elas. Preferi suar. Preferi não olhar ipês, nem o sol, nem escolher refrigerante, eu não mereço. Preferi chegar em casa e cerrar tudo com mais trabalhos.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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