Utópica moda de ser livre, por um cigarro entre os dedos e copo meio cheio de bebida forte. Quanto mais forte, menos gelo. Quanto mais foda, mais erva. Quem conhece pó é o melhor. Em casa iogurte fino, videogame, edredon colorido, canais fechados, marca na blusa, tênis importado, inglês fluente, shampoo profissional, guitarra por hobbie, pele sensível, doença nas unhas, cirurgia plástica, viagens internacionais. Mas é radical escrever 4:20 no muro da vizinha pobre, que tem um filho da sua idade procurando emprego mas não consegue porque deixou a escola de lado e tem a cara preta marcada pelo preconceito. É radical hackear, trair, usar, cheirar, injetar, consumir, espancar, mentir, debochar, fingir e humilhar. E ainda cospe à meia boca que vive uma ideologia pura, baseada no natural e na igualdade, nas lições do passado onde gritavam paz, amor, sexo e rock and roll. Tsc tsc.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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