Por um passado que me faz perceber que tudo melhora, busquei abrir a janela, mesmo que chovesse dentro de casa, lembrando das coisas que durante tanto tempo fingi que não vivi. E questiono o porquê de sentir tanta falta de ser criança, se hoje o que me arrebata é ter a verdade nas mãos e conseguir entender mais da metade do que eu perguntava, olhando pra cima a cara de bravo de pai e de mãe. Segurava no bolso de trás, que era muitas vezes o que me restava e tentava andar no mesmo ritmo que ela, chegava a fechar os olhos pra conseguir correr mais rápido. Podia ver a novela que eu quisesse se fizesse companhia, esperando pai chegar de madrugada, via sexo, morte e ás vezes esses tapas técnicos de novela. Mas tive que encontrar uma revista velha pra perguntar um tanto atrasada, por que é que a gente sangra todo mês. Podia beijar os meninos, se quisesse esconder e escolher. Mas não queria. Não queria meninos, não queria scarpin, não queria que o Elias fosse embora, não queria dormir sozinha, não queria morar mais naquela cidade, não queria carnaval. E eu sempre soube do que não gostava, era mais madura, talvez, do que hoje. Não era a infância, era eu. Me quero de volta. Nem que seja um tantinho.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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