Vive nesse jogo de quem se sente sempre amado, mas soou como pedido em cartinha ao papai noel pra que eu escrevesse. E digo sempre e tanto de todas as formas que até hoje me couberam na mente, sobre esses olhos que ficam imensos atrás dos óculos, do mesmo jeito que é seu coração atrás da carinha meio amarrada. Desaprendi com o tempo e por circunstâncias passadas a dizer e a não ter medo de repetir, mas é que sua gargalhada me gozando a cara por tantas coisas que sou ás vezes me mete medo. Enquanto fiquei calada, percebi o quanto o mundo é grande, com gente demais por aí, e, olha bem quem anda me ligando todas as noites. Era só alguém um tanto intocável pra mim. Juro. Mas é claro que meu quarto com bichinhos de pelúcia e desenhos estranhos nunca receberia quem tanto tinha história, meninas, malas, cidades e mais histórias. Ou melhor, receberia sim. E levaria consigo uma vontade imensa de rir, bem alto. Mas é que sou assim mesmo, como vê. E o medo em mim, ficava maior quando sabia que não sou dessas que muda por alguém. Pinto cabelo, troco as roupas, mudo de casa, cidade, esmalte, curso mas ainda sou eu. E serei sempre a mesma. E me pego tempos depois escutando pedidos totalmente estranhos ao telefone. E sua exaltação em se colocar como a parte que me deixa platonicamente molenga na cama, olhando pro teto, não cola tanto, se eu sei que seu corpo fica mole também. Esse medo de andar na rua sem segurar minha mão. E essas frases encaixando pronomes possessivos, me induzindo a dizer os imperativos, porque eu sei que gosta de me ver fazendo pedidos também. Não falo por ser mais uma, mas por ser eu. Sigo o ritmo de quem ama mesmo, derreto, me encolho e procuro mil vezes você em cabides, álbuns musicais, livraria, frases feitas, frases não feitas, desenhos, fotografias, perfumes, dancinhas engraçadas e o seu olhar quando olho pra baixo, eu, mais uma vez mole. Em contrapartida, te acuso sem ter provas concretas sobre me procurar todos os dias em algum lugar por aí. Que seja no samba que diz que vai deixar mais alto quando chegar pra esquentar a cama de vez.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
Comentários