Debruço na janela, mas essa rede me espanta. Não faz nada, não corta, não repele, não machuca, mas espanta. Ás vezes eu só queria mesmo peitar melhor o que tem lá fora. Faço tudo tão correto, desço pelas escadas, encaro a porta e faço de tudo pra não bater forte. Ando sem incomodar e me sinto quase sempre incomodando. Minha regra é não dar trabalho. Ser só e suficiente. Mas vê, que nem a janela ás vezes, pode ser amiga. Nem os amigos sempre podem ser amigos. Eu conto com pontos de exceção. E faço deles a regra. Porque na verdade nunca tiram essa rede da minha janela. Na verdade as pessoas andam com pressa, fazem tudo bem correto, descem as escadas e não batem a porta porque há um bilhete dizendo que existem outros quinze apartamentos ali. Na verdade o normal é se sentir atrasado, centrado e dentro dos prédios, sentindo saudades de um outro mundo. Aquele, atrás da rede da janela.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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