Sob a meia luz do quarto levanto sentindo dor no pescoço, mau jeito por ter cochilado em cima de tudo que estava na cama. Me esqueci do quanto estou cansada e disse que ia sair hoje. Saí contando como se fosse a coisa mais legal do mundo e nem é. Me esqueci que fazer amizade pra mim parece um desafio enorme, e que o fantasma infeliz conhecedor dos meus pontos fracos volta e fica perambulando. Fiquei horas pensando sobre esse discurso que as pessoas fazem, olhando pra minha vida e pensando em quantas bocas e histórias elas já pousaram enquanto eu simplesmente amava uma só mulher. As pessoas não são muitas, só são consideráveis. As pessoas me consideram, mas são poucas. Sempre preferi assim, mas me confundem, e em um momento elas somem. Voltei a trabalhar, acendi a luz e não arrumei a cama. Tomo um banho logo, boto a roupa de frio e desejo que eu não me arrependa de sair do apartamento.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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