Cheguei ao refeitório enxugando o rosto, pensando em mil coisas tentando
não pensar em nada. Cansada de pegar sempre a mesma comida, escolhi
aquela banca vegetariana que nunca, nunca tinha fila. Até estranho isso.
Mas, ai, deixar de comer carne tem me feito bem aqui. Olhei os
ingredientes e com preguica de falar inglês, disse que queria tudo. Tudo
junto. E o chef simpático me perguntou se podia por pimenta. Concordei
sem vontade de saber o que aquilo ia virar. E ele, mais simpático ainda
quis saber se eu era espanhola. Eu parecia espanhola. Não, Brasil.
Melhor ainda, ele disse. América do Sul, linda América do Sul. Conheci
mulheres na América do Sul que olha, eu me arrependi de voltar pra cá.
Abriu a pimenta. Só um pouquinho, eu disse. E a panela ferveu. Decidi
voltar lá mais vezes. Acho que esse cara me entende. E a pimenta,
anestesiou minha boca, praticamente não sinto mais nada. Pelo menos por
hoje.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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