Não sei quando foi que comecei a ver poder em cabelos. Mas desde então, me sinto pressionada a não mudar nem encurtar os meus. Desde um certo momento, momento que nem sei exatamente quando foi, me senti regredir. Um tanto a gente cresce e se mantém conservadora, que meus estudos e vontades de conhecer um outro mundo me deixam perdida. Meus cabelos se mantêm intactos, crescendo, querendo arrastar ao chão. Sempre os vi como uma máscara bonita pro meu rosto quando não resplendecesse felicidade. E venho então, deixando ele crescer por longos seis, sete meses. Mas vejo hoje toda essa luta pra não me tornar a mesma pessoas que meus pais são, ter a mesma ideia nova, que atrofia no primeiro enfrentamento. Dos cabelos longos, das roupas formais, dos objetivos a ser "alguém na vida", na procura do apartamento, na busca de um futuro promissor, no fechar os olhos para o que dizem na Tv, nos jornais, onde for. Ás vezes, parece não haver outro caminho a existir. E por mais que eu tenha pesadelos pela noite sobre meu futuro, há que saiba o quanto grito e luto por querer ser diferente. Não quero acreditar que no final da história, todo pássaro acaba voltando pra gaiola.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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