Minha mãe parece sempre saber de tudo. Ou pelo menos sentir. E isso me enche de raiva, falta paciência. No impulso de querer que eu fale das minhas angústias, ela diz que está com muita saudade, uma semana depois de nos despedirmos pessoalmente. Sabendo talvez do quanto chorei naquele quarto de hotel, ela repete a pergunta sobre minha namorada, ex-namorada, não sei mais dizer. Não sei dizer mãe, ela está bem. E dá meia volta, percebe que meu rosto desconfigura com o nome e pergunta algo semelhante segundos depois. Está bem mãe. E então ela desiste. Sei o quanto sou injusta me escondendo dela, mas sei o quanto me protejo não mostrando minhas feridas. Dói porque a cada tropeço meu, em sua fala se sintoniza um tom de fofoca, mas o que aconteceu?, o mesmo que cresci escutando entre salões de beleza, almoço na casa dos avós, ceia de natal, churrasco entre famílias. Aquela preocupação estúpida, que nada ajuda, mas estará sempre pronta pra ser espalhada sem controle algum. Enquanto eu, na verdade continuo sozinha.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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