Acabo escrevendo por não poder falar. Embora eu já tenha falado muito, parece que a vontade nunca acaba. Falei para amigos, irmãos, para médicos, primos e não parece ser o suficiente. A dor de ter que esquecer tantos fatos pra poder seguir em frente me abala até o fio de cabelo. Eu acho que já era. É, já era tudo. O difícil mesmo é seguir em frente com tantos planos já feitos e agora vazios. Antes de dormir eu costumava a planejar cada ato, abraço, beijo, sexo, palavras. Hoje planejo como esquecer. Como tirar da cabeça as frases, a mentira, toda a história que ainda nem sei mas que já machuca. Planejo como seguir em frente, mesmo trombando na rua, dizendo "oi" e seguindo adiante. Eu, que sempre quis isso diante de tantos desencontros. Hoje, tomo um remédio pra náuseas, outro pra me acalmar e mais um para as dores de cabeça que me acompanham. A noite, antes de dormir, faço uma oração pra voltar a ser feliz.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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