Depois do aeroporto, depois do primeiro prato à brasileira, depois de todos os abraços “meu-deus-depois-de-um-ano-e-meio”, eu fui para o lugar mais clichê, mais óbvio e mais urgente: meu quarto. Fiquei feliz pelo ventilador na parede porque o calor me derretia - e continua me derretendo. Deitei na cama e depois tratei de procurar alguns bilhetes espalhados entre as roupas nas malas. Eu sabia que encontraria e já me sentia em pânico. Ou sentia amor, mas com saudade. E um pouco de tristeza também. Me perguntei algumas vezes como sempre faço, o porque de tudo isso acontecer - de novo - com alguém que só precisava aprender a ficar sozinha. E quando acreditei que voltar seria apenas voltar, encontro uma carta com frases que eu não esperava ler, mas que dizia exatamente o que eu sentia. Quando tenho um pacote de carinho dentro de mim, eu faço questão de usá-lo com a pessoa que acredito ser a certa. Caso eu não receba de volta, eu tenho a consciência de que preciso seguir o caminho do rio, sozinha. Acreditei que estava fazendo isso, até que abri aquele bolso com um par de tênis e um papel branco caiu. Até que recebi mensagens para que eu mantivesse contato. Até que passei o dia dentro do quarto conhecendo uma nova casa e uma nova família pela tela do computador - meu karma. Então eu volto a pensar que se as coisas aconteceram assim, foi porque elas precisavam acontecer assim. E aceito. Mas sinto muito falta de tudo. Principalmente de todos os segundos em que eu ouvia aquelas expressões gregas misturadas ao português de aprendiz.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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