Hoje o dia foi parado, feriado vazio e sem cor. A saudade daquela cidadezinha fria, do mato e de andar de bicicleta fez doer muito mais. A saudade daquela menina e de ficar olhando a paisagem branca da janela dela cresceu. Minha mãe me ligou e, como sempre, uma energia estranha que sempre me percorre quando isso acontece, veio me tirar um pouco a paciência. Eu não sei mais como lidar com questões tão superficiais, problemas sobre a aparência ou o status social em que nos encontramos. Mas dessa vez ela se queixou de estar fazendo aniversário com o meu pai. 25 Anos que se conheceram. Eu realmente não gosto de entrar em detalhes, de me sentir culpada por não me lembrar. É que a vida dos dois juntos já me machucou tanto, por anos a fio, que resolvi esquecer que são casados. Mas dessa vez doeu. Doeu porque eu sei o que é viver um grande amor. Eu sei o que é me entregar, me dedicar, sonhar com cada detalhe da vida à duas e sei, mais do que nunca o que é dar errado. Sei o que é ser enganada e traída, sei o que é implorar por atenção, por afeto. Sei o que é acreditar em alguém e de repente, o mais inusitado acontecer. E sei também o que é esperar o pior mesmo depois que tudo acabou. Mas eu não disse nada a minha mãe, deixei pra lá. Infelizmente meu coração não me deixa mais entrar em questão sobre os dois, desde que eu era bem pequena. E não entro. Mesmo que eu entenda, mesmo que agora eu chore por não saber me expressar. A parte boa disso tudo é que amanhã eu começo a amar de novo, e de fato eu vivo e me entrego, esqueço o que passou. E em momento algum eu penso em machucar ninguém, mesmo aqueles que fizeram questão de me ferir. Eu só quero ser feliz.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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