Era minha última semana ali. O almoço de despedida que planejamos foi lindo, mas depois disso o sono bateu e mesmo com tanto a fazer nós duas dormimos. Acordei e já estava escuro, na verdade devia ser cinco horas, mas com o inverno presente a noite chegava rápido. Com a sombra do jardim lá fora, eu via nossas silhuetas na cama. Tentando não chorar, comecei a fazer um cachorrinho com a forma da minha mão usando a sombras e olhando pro teto. Era a coisa mais ridícula a fazer mas não havia escolha. Quando ela acordou, nós rimos juntas até o silêncio chegar, e desse momento pra frente, não tive escolhas: caí aos prantos, e sem falar nada, ela me abraçou e apertou minha mão, até eu deixar sair tudo. De fato congelei aquela cena, e as sombras das listras da cortina no seu rosto. Mas nada será como esse dia.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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