Quando morrer, posso virar puta. Escrota, demoníaca, estúpida e até assombração. Mas por favor, não me façam virar santa. Nunca fui, nunca serei. Mania de ser metódica e o destino que sempre me faz parecer uma garota caxias, sempre tão correta, me corrompeu a vontade de um dia me doar por aí. Me acostumei a sorrir com o amor, quando tanto acreditei nele. Me acostumei a chorar a cada perda. Aprendi a falar palavrão com meus irmãos, todos homens e sempre sedentos pelo proibido. Pulei o muro da escola por prazer e fiquei de castigo. Batia em qualquer um na escola se falassem da minha mãe, se dissessem que eu estava namorando algum garoto. Ambicionei o sexo desde nova, com um toque de inocência ao perguntar sobre os bebês, mas sempre querendo chegar no ponto certo: como deveria ser me entregar. Tudo certo? É melhor deixar essa minha imagem por aqui. Mesmo que não dure muito tempo. Me sinto culpada, estranha. O corpo pede uma coisa, o coração diz outra. Eu durmo, acordo e quando me pego com dores no corpo, me condeno: castigo, castigo... Quem mandou essa menina ser assim?
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
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